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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O desejo do enlace


Somos malditos - a quem entender possa - e sabemos disso.

A maldição poética não é menos maldita dado o seu lirismo.

Passei a manhã sendo brindado por belos conselhos, pessoas que amo e que me amam, que apenas me querem bem. Ainda assim, cunhado pela maldição em que me encontro, escrevi minhas sensações, na vã esperança de que, colado na tela do computador, o sangue que de mim brota, diminuisse.


Eis mais um poema, sim, estou numa fase poética:




Malditos, menos ela

Maldita seja a amizade pura,
Com conselhos nobres,
Que só nos querem bem.

Já eu não me quero bem,
Quero o bem dela,
Ainda que ela não seja minha no meu querer.

Ainda que a sua existência dentro de mim machuque,
Escalando as minhas entranhas numa fútil tentativa de sair,
Quando a engulo de volta,
Sei que é ela, em mim, o único bálsamo.

Maldigo o bem que me querem,
Maldigo o caminho correto – Que assim me apresentam,
Maldigo a mim mesmo,
Mas jamais maldirei a ela.

37 comentários:

T@CITO/XANADU disse...

...ainda que a sua existência dentro de mim machuque...

Em nossa constituição afim, como seres incompletos,
Que os sussurros de nossa alma
Penetrem em nossos corpos ansiosos
Para no ato maior do amor
Encontrar-nos, um em um, a nós mesmos.

Abraços
Tácito

Jamerson Silva disse...

Grande Angelo, homem de sensibilidade aguçada!

Man adorei o seu texto, penso que essa é uma das mais veradeiras manifestações do amor. Porque este pra ser belo, tem que ser desprendido.

no amor de verdade o que menos importa é estar junto. O que importa mesmo é proporcionar ao outro a possibilidade de estar bem, mesmo que isso implique estar longe para sempre, mesmo que isso pareça uma loucura...

Grande abraço!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Ângelo
Gostei de seu desabafo em forma de poema. Devo lhe confessar que já passei da fase do amor incondicional, isso para mim é masoquismo.
Abração

Ângelo disse...

Entendo seu posicionamento, Wanderley, mas sofreria eu, caso não fosse assim, muito mais do que ora sofro.

É incondicional por estar tão dentro de mim que não tenho alcance e controle sobre ele. Assim vivo. E só assim sei amar.

Um grande abraço pra você também, meu irmão.

Ana Magalhães disse...

E como você seria você mesmo se não amando? Um amante pra vida toda e que nunca deixa de amar, isso as vezes me preocupa, mas na maioria das vezes me faz amar ainda mais a pessoa que é.
Vc é simplesmente único!

Amei o poema. bjos

Ana Marta disse...

Amar na completude ou incompletude não cabe em comparações... Masoquismos ou não, amando, somos jogados ao mar, lançados ao abismo, rezando com um cair macio.

Belas palavras, querido.
Bjao
Ana

Clarissa disse...

Adoro o que você escreve e como escreve... Parabéns!!!!

Alberto Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alberto Araújo disse...

Cá entre nós,
Não tente esconder,
Não tente esquecer,
Não tente engolir,
Sem digerir, sem perceber,
Aquilo que dói e que pode doer,
Tanto em mim como em você.

Nem tente refazer,
Nem tente remexer,
Naquilo que sente saudades
Sem nem entender o porquê.

Falo das dores, daquelas velhas
Mazelas que habitam o nosso ser,
Que pode atingir tanto a mim como a você.

Cá entre nós,
Não desanime,
Não se deixe esmorecer,
Sempre haverá a dualidade,
Projetando linhas infinitas, eqüidistantes
Nos espaços existenciais pra se entender.

Elas sempre avisam que no alvorecer
Nada é pra sempre e
Que o sopro da vida é como o alento
Daquilo que não se vê,
No mais belo que há
Das manhãs que virão após o entardecer.

Pietro Leal disse...

Bendita seja a maldita.

Tamine disse...

Não me maldiga, conheço várias "maldições" e acho que em partes até entendo o que quis dizer.
Bju

feijão disse...

respect represent !!!

::Soda Cáustica:: disse...

Vai parar de doer quando vc quiser muito que pare e ver que não vale a pena aturar a dor... é melhor seguir em frente, esperar a vida dar seu jeito e sua ordem nas coisas...dói na alma, dói no corpo, mas passa. Te garanto.
O que não nos mata, só nos fortalece. Use esse amor, essas palavras lindas pra ocupar seu tempo e continue escrevendo pra gente... amamos seus textos.

Beijos beibe, gostei muito.

Ângelo disse...

Não se trata de aturar a dor.
Não é um sentimento do qual quero me livrar.
Quero apenas decantar esse sentimento. Depurá-lo.
Viver ele até a última consequência.

Eu tenho a capacidade de sofrer com mais felicidade do que muitos sorriem, e, por esse sentimento, o farei até que se fortaleça, ou se finde.

Beijos, amo todas as suas visitas também

Iลηuziηђα ღღ ©ǿмρإוκđα ε ρεяfειτιђα● ஐ disse...

Quem nunca sofreu por amor, na verdade nunca amou... Maldigue, chore, grite! Mais nunca deixe de amar!♥

Beijos

Ianuzi

Hilda Lopes Pontes Tavares disse...

Incrível como o seu eu-lírico me encanta cada vez mais. Entendo exatamente suas palavras e consigo perceber, não só pelo texto, mas pelo seu olhar, o motivo, a razão dos seus sentimentos mais sombrios. Ou pelo menos acho que sim.
Fases mais complicadas geram palavras tão bonitas ou esses sentimentos estão sempre em você? Isso é algo que eu gostaria de descobrir, de verdade.

Eduarda disse...

Angelo,

Uma viajei interior, carregada de dores, dum dito ex-lirismo que me absorveu.

Soberbo1

bj

Merlaine Garcês disse...

Olá Ângelo!
Obrigada pela visita e pelo belo comentário!
Te seguindo também!
Bjs!

Gisa disse...

Oi Ângelo e o que "ela" pensa disso, no momento em que tenta escalar tuas entranhas na fútil tentativa de sair e a engoles novamente?
Fiquei com medo...
Lindo texto
Bj

Anônimo disse...

Jamais te maldirei....linda poesia

Juliana Dias disse...

Olá, há muito queria ter respondido sua visita! Mas a falta de tempo, correria, estudos, me impediram!
Gostei muito do teu blog! Parabéns!

Estou seguindo!

bel disse...

"eu tenho a capacidade de sofrer com mais felicidade do que muitos sorriem...". e há quem duvide disso lendo seu poema? sensibilidade ímpar a sua.

OrbitaZ disse...

Eu concordo plenamente com você Ângelo, o amor incondicional está dentro de nós para que nos salve, quando o descobrimos nada nos abala, ninguém o consegue tirar do nosso coração é puro e não pede nada em troca.
Abraços

Rodrigo Feitosa disse...

Não o primeiro nem o último sofredor.

e espero que continue assim, que as pessoas continuem amando... e se sofrem é pq não aprenderam o completo amar, que amem até aprender.

Se de bendito amor pode nascer tamanhã dor,
é certo que da dor também há de nascer algo bom.

Já sofri como você, brigar contra o sentimento realmente não adianta.
Isolei, escutei, conversei, coloquei de castigo e até alimentei. E sim ele se foi

Sim, sim,
maldiga a mim tb,
que na tua dor me identifico.
não te conheço,
mas já te quero bem.
Boa sorte.

Thayna disse...

Oi Angelo, meu amigo aí de cima me recomendou seu blog e seus textos são simplesmente maravilhosos! Neste momento também estou tentando depurar um sentimento similar... concordando com o Jamerson sei que amor verdadeiro é desprendimento... e independente do sofrimento, não maldizemos "ela(e)" simplesmente porque AMAMOS e o amor está em nós... nada devemos esperar do outro. Resta a esperança que o amor verdadeiro um dia faça sentido a todos os corações!

disse...

"Ainda que a sua existência dentro de mim machuque,
Escalando as minhas entranhas numa fútil tentativa de sair,
Quando a engulo de volta,
Sei que é ela, em mim, o único bálsamo."


Belas suas escritas! Eu me vi nesse poema em especial, nesse trechinho... Parabéns!

E obrigada pela "visita" no meu blog.

disse...

Entendo perfeitamente esse amor incondicional que machuca, que nos deixa sem direção... Essa coisa de querer o seu bem querer e nada mais!

Dany disse...

Gostei da sutileza e objetividade de suas palavras. Parabéns! Beijos! Dany

Roberto Villar disse...

Maldiga a ela

A toda sua ascendência

A toda descendência que não seja sua

Continue a maldizer os amigos

Os inimigos

Os desconhecidos

A si próprio

E bêbados conseguimos adjetivos maravilhosos para tanto maldizer...

Rodrigo Feitosa disse...

Roberto Villar sempre a procura de um parceiro para suas depreciações e bebedeiras.
só me pergunto se o ângelo realmente lê isso tudo que a gente escreve.

Ângelo disse...

Sim Rodrigo.
Realmente leio o que escrevem e não julgaria nenhum de vocês de maneira depreciativa.

O comentário do Rodrigo não me ofendeu em nada, e também não me pareceu estar buscando um parceiro para bebedeiras. rsrs.

Para de pegar no pé do rapaz.

Abraços e obrigado a todos pelas visitas.

Rodrigo Feitosa disse...

kkkkkkkkkkk Ângelo, me entendeu mal.

Roberto Villar, é um grande amigo meu, dos maiores e melhores. na verdade um personagem criado por esse amigo, sempre disposto a comentários ácidos e retos, gosto bastante.

Geralmente tem uma visão oposta da minha e me ajuda a enxergar mais longe.

Abraços

Ângelo disse...

huehueuhe

Tudo bem Rodrigo.

Realmente entendi mal, mas imaginei depois que deveria ser amigo seu.

Que bom que gostam daqui, tragam mais e mais amigos.

Pelo menos você ficou sabendo que eu leio sim o que se escreve aqui. rsrs


Abraços

Nuriko disse...

Parece tão solitário. E apaixonado.

Lais Machado disse...

Lindo!
Espero que tenha conseguido diminuir sua aflição, ao escrever...mas ler o que escreveu, principalmente...
"Ainda que a sua existência dentro de mim machuque,
Escalando as minhas entranhas numa fútil tentativa de sair,
Quando a engulo de volta,
Sei que é ela, em mim, o único bálsamo. "

Fez despertar o monstro que adormeço em mim todos os dias antes de levantar da cama. Vou sair agora, para tentar fazê-lo dormir outra vez...srsrs
beijos

Ângelo disse...

Laís...Não sei se irá ler o comentário do seu comentário...rsrs.

Ainda ante essa improbabilidade, gostaria bastante de dizer que adoro os seus comentários.

Muito obrigado

Beatriz Prestes disse...

Achei demais este poema, assim como as publicações!!
Fica um convite, para você conhecer a Casa da Poesia, no endereço abaixo. Seria uma honra recebê-lo entre nós.
Se gostar, cadastre-se!
Bea

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